terça-feira, 19 de abril de 2011

Desejo - Representação ou Idéia?


Parte I

Desejo e Representação


O desejo somente é tratado unilateralmente na crença ou pela metapsicologia. Na sua origem e uso pela Psicanálise ele se relaciona a Representação ou Vorstellung, pois abrange mais que o sujeito, mais que o ser. É comum nos autores que desconhecem a obra de Freud relacionarem o desejo a idéia ou ao sujeito. O desejo nem é só do sujeito e nem é somente do Inconsciente, ele é duplo, ele é o operante do inconsciente no sujeito e deste no inconsciente, assim ele representa no sujeito aquilo que é trazido do inconsciente e que o afeta, em um dado momento.


A idéia já é uma projeção do sujeito, projeção, transferência feita em função de um outro, ou seja, um desenvolvimento do desejo, e da representação do Signo. O signo é o traço unário, comum a todos presente no Inconsciente e por esta razão os hindus criaram Maya como aquela parte do inconsciente que afeta a psique (jiva); e Mahamaya como todo o inconsciente, que afeta a todos os Jivas. O fenômeno se faz representar como operação entre Maya, na ligação entre o Jiva e o Inconsciente, e se dá pela busca da identidade, Kundaliní, como comparador universal.


Portanto o desejo representa o biunívoco operando como representação de si mesmo, produzindo a vontade, as idéias e também produzindo a comparação destas com o eu ideal, com o “senhor”, com seu si mesmo ideal - Ishwara. O ser fantasmático que é a Alma não deseja buscar a si mesmo(sic), mas é desejado, representado enquanto houver mais um outro no Universo. Pois Ishwara é o eu livre de qualquer lugar, tempo, e necessidade, portanto fora do inconsciente, livre de Maya.


Logo o desejo de voltar a ser aquele eu ideal não é o motivo do desejo, tudo que a Alma não deseja é ser este eu ideal, ela deseja ser este eu ideal, para os demais, através deles, e não para si mesmo, e então paradoxalmente quem chegou a conclusão da existência deste eu ideal, Ishwara, sabe que o desejo e o gozo já são o ser e o ter, não há outro, este outro ser e ter idealizado nada mais é que o uso do outro, para ser, algo impedido no Yogue.


O desejo como representação legítima de si mesmo, portanto, é inescapável. E se por um lado temos o Desejo, ele requer um Gozo, gozo este que reivindica para si a manifestação, que é comum, que é de todos. É do Inconsciente. Por mais  nobre, ou inédito que seja esta representação, ela será recuperada pelo mesmo processo que a criou, ou seja, será tomada novamente pelo Inconsciente, deixando o desejo sem o sentido que o fez se representar.

Um pensamento estruturante, ele segue adiante, representa e perde, pois o desejo quer sua perda. A perda como Gozo representa a possibilidade de continuidade, de um pensamento estruturado e aberto para novas representações que lhe serão dadas pelo Inconsciente. A lógica da Biunivocidade é atingir esta continuidade, entre a representação e a perda, para uma nova significação, o que coloca o Sujeito ao lado, junto da Consciência, pelo tipo de relacionamento que ele tem com o Inconsciente.

O pensamento desestruturado mantém o laço com o desejo, com a representação, atando a idéia ao sujeito como se ele fosse o autor dela, e não uma representação dela, da idéia. A idéia já escapa da estruturação do pensamento, e gera novos sentidos a partir dela, sentidos estes em que o desejo seja dominado, e determinado pelo sujeito. Desconsiderando assim o Inconsciente como fonte. Negado o Inconsciente fica negado o que é comum a todos, em que o sujeito se apresenta como autor legítimo, daquilo que é de todos. Muitas vezes este tipo de conduta é conveniente em uma sociedade como a nossa, pois se podem unir idéias diferentes e produzir um tipo de saber robusto e com sentido, mas que não tem continuidade, a não ser como discurso de ciência, em que muitos falam sobre a mesma coisa.

Na biunivocidade do Tantra, entre a representação do desejo e o seu usufruto, a ligação é de dentro a dentro, por dentro de todos os sujeitos, feito pelo Inconsciente. Não há a produção de um saber de muitos, o comum é interno, espiritual, e satisfaz o sujeito sendo ele mesmo a instituição, o que é o humano.  Logo o desejo como representação e não como idéia, insere o sujeito como ser espiritual, as idéias o colocam como ser das instituições, da produção, onde o Gozo é o pagamento como reconhecimento por estas produções.

As idéias atendem ao social e a representação atende ao pessoal, e estas são as duas faces do Desejo: O Ser nele mesmo, ligado a tudo pelo Inconsciente e como o Ser na sociedade, negando o Inconsciente, mas sendo porta voz da idéia.

Pode a primeira vista parecer que o desejo como representação seja um discurso barrado, e não livre, e que a idéia seja o discurso livre; entretanto é o posto que se dá, pois a representação é que é um discurso de liberdade, da possível liberdade, e o das idéias é o discurso perdido, onde o sujeito está barrado pela idéia, pelo desejo que ele se apropria como sendo dele, totalmente dele.

A representação atende a inesgotabilidade que a idéia não possui pois ela precisa do outro e da produção, sendo portanto limitada. É este aspecto dentro-a-dentro, da representação que coloca o sujeito no seu lugar, onde ele pode pensar estruturadamente, e de forma contínua. É no aspecto fora-a-dentro que a idéia pretende ser comunicação, advinda do sujeito, como origem da projeção, a negação do Inconsciente.

Assim a cultura pode ser uma comunidade das idéias como representação dos sujeitos, ou pode ser a representação dos sujeitos, em que as idéias sejam apenas os laços de poder, admitidos como idéias para justamente negar os sujeitos. O mal estar vem deste saber, saber que aquilo que nos chega como cultura é um convite na participação social, pela negação de nossa relação com o Inconsciente.

É esta reconciliação impossível, o que nos faz sonhar, e reparar as faltas cometidas, reparar a apropriação indevida, que fizemos do bem comum – Inconsciente.

O sonho é o gozo reparador do lugar da identidade, ele nos confronta com as idéias, para reparar a negação que fizemos, conforta e expia a culpa, e voltarmos ao ponto em que temos escolha. Representamos ou somos a origem?

A identidade é o fenômeno reparador, atualizador de si mesmo. E ficam algumas  perguntas:

- O que é que pode ser chamado de seu?
- Como lidar com o meu e com o seu?

A inspiração como continuidade, se dá no plano da representação, e apresentada como tal, é aceita como idéia, pelos outros, pois liga o sujeito a algo mais, que todos tem.

Parte II

Percepção e Identidade

O desejo como representação não explica como surge, ou como um determinado sujeito se faz representar: será que ele é possuído pelo desejo? Ou será que ele possui o desejo? O desafio está entre Ich e Es, entre o Eu e Ele (Isso), ou ainda Ego ou Id como queriam alguns. Freud usa investimento, investimento libidinal, como Carga, Catexia etc Assim os interpretadores de Freud o vêem como um produtor de conteúdos operacionais. Mas na verdade este mecanicismo não existe.

Para atalhar o percurso, pois esta discussão pode se prolongar por séculos, entre uma retórica e a teoria de um conhecimento operacional:

 O desejo como representação, ocorre entre o Eu e o Isso, a coisa que este sujeito percebe, como não sendo ele, e logo, sendo ele. O “Eu sou Isso”, e logo o “Isso sou Eu”. A pulsão é a carga que Ich (Eu) e o Es(ele) faz, para investir em algo, tomado como sem propriedade, livre, solto, do Inconsciente. O desejo não é uma atração do Ich (Eu) por um Es(ele)[1], e sim o momento seguinte que faz com que este Es (Ele) se represente neste Ich(Eu) como um Isso.

A questão é porque o Ich toma algo, como coisa de um outro, e o torna seu ao denominar de um Isso?Resposta: Isso é algo sem dono.

Portanto é de todos, pois aquilo que é do outro, precisa ser negado para ser seu, pelo Isso, pelo que chamamos de conhecimento. Teoria do conhecimento.

Não há como ser algo, sem que se negue este outro, sem que se faça o Ele ser um Isso, reduzindo-o a um algo, como coisa, para depois ser possuído, e assim é feito o investimento libidinal, vindo do Inconsciente. Quando o Isso já é seu, os restos desta operação fantasmática precisam ser triturados como lixo, negado e denegados, pela identidade depois, como Sonhos.

A identidade agora é outra, teve que fazer esta operação, e tem que fazer senão não haveria identidade, seriamos apenas citadores, e depois críticos, para no rolo do conflito, reformados pela peleja, teríamos que nos reconhecer publicamente como seguidores daquele Isso. É isto que os Gregos tentaram fazer, tornar a psique, pública, aberta, exposta. Logo, pela manipulação destes discursos, pessoas como Sócrates tiveram que cometer o suicídio ao verem suas colocações postuladas como um denuncismo, ou seja, muitos ali não eram públicos de fato.

O inconsciente é o resultado do Ich, do Eu, e do Es, Ele, pois a Psique tem que fazer isto, negar e denegar, para ser. Os gregos estavam corretos, tudo que é dito, é público, mas a linguagem pode fazer exatamente isto – conhecer. Entretanto o conhecedor é alterado pelo conhecido.

A partir desta incorporação o Isso desaparece como Ich (Eu), ele é Moi (meu) e surgem novas necessidades no sujeito, advindas de uma nova representação, como desejo, intencionadas como idéias, para justificar a sua posse.


Merleau – Ponty  diz que “O abandono da imanência da subjetividade ou quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência, primeiro nota e percebe esse objeto em total harmonia com a sua forma, a partir de sua consciência perceptiva. Após perceber o objeto, este entra em sua consciência e passa a ser um fenômeno.”
Logo aquilo que ocorre entre o sujeito e o objeto, é um fenômeno, pois a subjetividade, é imanente, ou seja, ela é um zona neutra, uma terra de ninguém, um vazio, a ser preenchido a partir da identificação do sujeito com o objeto, que o sujeito reivindica para si, vejam bem, todo ser da mesma espécie tem em si a imanência da subjetividade. No momentum que o sujeito reivindica para si, e ele o faz porque este objeto o representa de alguma forma, neste momento, e naquele instante o sujeito anterior precisa ser abandonado, e isto é o subjetivo, pois neste momento entre o abandono de si mesmo, e a identificação com uma outra imagem, é o fenômeno que produzirá dois eventos:

TAN - A Imagem aceita toma posse do sujeito.
TRA - A Imagem negada que de alguma forma entra em contradição com a nova imagem vista é recalcada, negada em si mesmo, no próprio sujeito. Mas não pode ser um Isso ejetado deste sujeito, esta parte rejeitada precisa ser colocada a disposição de todos, como projeção desta negação, nos outros, como sonho, como discurso, linguagem.

Logo o sonho e a linguagem não significa o novo, aquilo que foi introduzido no sujeito pela percepção, mas aquilo que foi deslocado pela nova imagem, e justamente esta nova imagem introduzida no sujeito é Yantra, que produzirá uma justificativa, uma elaboração para remover a diferença, naquilo que ela deslocou, quero dizer que esta símbolo novo, Yantra produzirá este deslocamento, pela significação renovada, e mantida como um novo discurso, a partir de agora, como Mantra, linguagem.

O sonho atua como uma forma de elaborar um discurso que possa dar conta, do que foi deslocado, este novo discurso de um novo sujeito, é o Mantra, a palavra.

Então sempre temos uma expansão do sujeito e logo temos sua retração, TanTra.

A parte negada precisará ser colocada em um lugar onde ela possa estar lá e ao mesmo tempo não estar, até que seja trabalhada, resignificada em outra coisa – pelo sonho, pela linguagem. Logo o sonho e a linguagem, não são produzidas diretamente pelas novas imagens e sim pelas que foram recalcadas, deslocadas, por elas, pelas novas imagens.

Com isto exposto, posso lhes dizer que não há um Eu Transcendental e sim um Eu que é capaz de transcender a tudo, e o fenômeno, como Kundaliní, é a identidade deste eu diante do objeto, que é ele mesmo. E com estas considerações já posso lhes afirmar que o Eu busca ser- ele mesmo, mas ele não deseja isto, ele é assim, ele é transcendental, logo não há intenção ou desejo de ser outro, há sim uma pulsão de continuar representando o  ser transcendental. O desejo representa isto, a característica do Eu, Ich, Ishwara, etc, ser ele mesmo. Em nenhum momento o Eu deseja ser outro, ele não precisa, pois ele pode ver, imaginar, ser atingido, e ser este e qualquer coisa, pois o fenômeno lhe permite.

Logo, o Inconsciente existe como suporte a este Eu, como uma zona para a negação. Que está livre, e sempre se liberta quando se desfaz dos restos pelos sonhos e pela linguagem, ou pela meditação, mas que volta a desejar, e se representar novamente.

A identidade diante de uma imagem, ao ser atraída para ter de se refazer, não é um mal, ou um problema, ela é assim, ela não pode ser apenas o que ela foi!

O desejo representa o fenômeno da identidade, mas não para o próprio indivíduo, nele é subjetivo, logo o Eu não deseja ser outro, não, ele não tem desejo, ele apenas representa aquilo que ele é. Nenhum Eu toma todo o outro Eu para si. E aí a filosofia oriental traz conceitos que são novos no ocidente:

            Tan e Tra – o fenômeno da percepção, a capacidade do Eu ser; e o fato de assim estar junto, colocar-se ao lado de(Samadhi), daquilo que é definitivo – a Consciência.

Meditar é um meio que me é dado, por um outro, de ser ausente de mim mesmo, de assistir de dentro a ruptura do ser, somente no final da qual eu me fecho a mim e volto com uma nova percepção. E o Gozo são para os outros imaginados, que me vêem.

Enquanto houver outro me dando este meio, eu posso ser eu mesmo.

Finalizando - o desejo como uma idéia, se apresenta como um discurso para muitos, e o desejo como representação, é a forma da identidade ser, ser ela mesma, pela percepção, apartir de Kundaliní, do fenômeno. A idéia como desejo não diz respeito ao Ser, ao Eu, e sim a possibilidade de produção de um produto, como ciência ou especulação, para os demais, e não para um outro Eu especifico, logo não há um vínculo do desejo como idéia, visto ser ela uma representação para outros, produto da linguagem e da elaboração onírica, produto que tenta ser comum aos demais e ao mesmo temo diferente. Há aí uma contradição, pois o próprio sujeito representa ele mesmo o processo da identidade, e todo modo de produção, de um conhecimento comum, entra no campo das idéias, uma intervenção artificial no processo espiritual. Eis aí o Mal estar da civilização diagnosticado por Freud.

O desejo como representação é o ponto onde se é para si mesmo, como identidade que representa-se pelo desejo, fenômeno de  possibilidade, das possibilidades sempre abertas, de dentro a dentro e não de dentro para fora, nesta ultimo caso, a idéia, e no primeiro caso, de dentro a dentro, como espírito, da mesma Consciência.

O ponto que uma pessoa pode entender é que o processo da produção do conhecimento, e do acesso a ele, é atributivo, atribuímos valores aos símbolos, para que eles possam ser usados de forma comum, por todos nós. Neste aspecto, objetivo, nós produzimos uma civilização que cria os valores, cria uma ciência, que como fórum, decide se estes valores são comuns ou não.

Neste aspecto não podemos falar de desejo como idéia, pois aí o desejo é a necessidade do sujeito viver no mundo, no campo das idéias, aprender e participar do mercado de trabalho, do network. Mas o que este sujeito precisa entender, e aqui é este o objetivo, é que o desejo em sua origem como fenômeno, independe das idéias, esta parte subjetiva, é dele, é espiritual, é o que o leva a dormir e acordar todos os dias. E o desafio é esta convivência entre o que desejamos, pois representamos aquilo que somos e o que desejamos para ser necessários na sociedade, como força de trabalho.

O desejo como representação começa a cumprir seu papel, quando o sujeito é capaz de imaginar, ter uma vida privada, sem confronto com o seu papel no desejo como idéia, como sujeito da sociedade.

Segundo os Gregos, nos princípios da civilização ocidental, nenhum sujeito da sociedade poderia ter vida privada, tudo era público, e isto atrasou muito a evolução da nossa sociedade, com uma filosofia baseada nestes conceitos. Então nós ocidentais viemos do público para o privado e os orientais vieram do privado para o público. Para saciar esta falta de uma vida privada, as religiões produziram que as ocorrências eram o produto de um destino, sem a possibilidade do indivíduo ser ele mesmo independente das ocorrências na sua vida. Assim as religiões vieram dar um suporte que faltava, as justificações para um mal estar produzido pela sociedade.

Desta maneira a imanência subjetiva do ser é a identidade, ela foi levada aos homens pelas religiões como um campo espiritual, que explicava o mundo, as necessidades, e as dificuldades, como produtos do desejo. Mas o desejo que produziria tal mal estar não vinha da representação que o sujeito faz de si mesmo pelo processo de perceber o mundo e sim da sua transformação posterior em idéia, colocada no mundo, para que o sujeito se insira nele, e se represente pela idéia, e não pelo que ele é.

A parte espiritual é o encontro com si mesmo, algo que fazemos como força de renovação, de desejo como representação, de si para si mesmo, como fenômeno, como identidade. Mas no momento em que falamos, produzimos um discurso para outro, já como idéia, como Mantra, como palavra. Começamos a entrar no mundo filosofia de ser, do Tantra, quando entendemos esta interdição que a imanência subjetiva produz, como identidade, como fenômeno.

Este diálogo interno e externo que produz a continuidade do ser, pois nenhum ser suportaria viver mais que alguns dias sem ele, ele é feito pela identidade, como uma meditação pela percepção. A nossa manutenção como identidade autônoma, é o que nos permite viver no mundo, se não for assim, há a degeneração psíquica com todas as formas de projeção conhecidas, e isto é feito pela linguagem, como Mantra, mas o fenômeno nos lança para dentro, projetados pelo Yantra, pela imagem identificada pela similitude com o outro no plano espiritual a partir do corpo. Protótipo para a Consciência.

As religiões do mundo como instituições no mundo, não atendem, e jamais deram suporte algum, pois elas não podem lhe dar a identidade, somente você pode fazer a partir destes esclarecimentos vindos do Tantra, a única filosofia que coloca o mundo espiritual como identificação daquilo que somos, no mundo, como corpo e como Alma, e como seres que são parte da mesma Consciência.


[1] Neste viés Ich, o Eu, só pode ser atraído por algo que fosse  identificado como contendo uma representação sua, assim ativaria o processo fenomênico, pois o que é igual não atrai outro igual pelos motivos da apropriação, e sim pela similitude de forma, corpo, espécie etc logo o fenômeno é a identidade entre os seres, que produz um espelhamento, e ele uma imanência subjetiva, a identidade.

18 comentários:

  1. Sempre há um microfascista defendendo a idéia como desejo...tks texto maravilhoso!

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    1. Sim, há os micro e os macro que representam-nos na política!

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  2. O desejo somente é tratado unilateralmente na crença ou pela metapsicologia. (ISTO É UMA AFIRMAÇÃO, A PARTIR DE UMA LEITURA CRÍTICA, OU APENAS UMA MERA CONSTATAÇÃO DO JÁ DADO? COMO PODEMOS COMPROVAR, DE FATO, ESTA UNILATERALIDADE, VISTO QUE O DISCURSO SEMPRE É MAIS ESCORREGADIO DO QUE IMAGINAMOS...? ALIÁS, O QUE SERIA UMA METAPSICOLOGIA NESTE CASO...?)

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  3. Na sua origem e uso pela Psicanálise ela se relaciona a Representação ou Vorstellung, pois abrange mais que o sujeito, mais que o ser. (ELA QUEM? DIGA-SE, A REPRESENTAÇÃO É A ÚNICA FORMA QUE TEMOS, ATRAVÉS DO SIGNO, QUE SE PÕE NO LUGAR DA COISA EM SI, PARA LIDAR COM O MUNDO, OU O REAL, SE PREFERIREM. NÃO CREIO QUE ISTO SEJA CAPAZ DE TRANSCENDER O SUJEITO, QUE DIRÁ O SER, POIS É A SUA PRÓPRIA FORMA DE CONSTRUÇÃO E EXISTÊNCIA. ACHO QUE SÃO APENAS CATEGORIAS FILOSÓFICAS PARA TENTAR APLACAR NOSSA ANGÚSTIA E O ABSOLUTO DESCONHECIMENTO DIANTE DA SUCESSÃO DE FATOS E FATORES QUE DESIGNAMOS COMO VIDA – A NÃO BIOLÓGICA, É CLARO!)

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  4. É comum nos autores que desconhecem a obra de Freud relacionarem o desejo a idéia ou ao sujeito. O desejo nem é só do sujeito e nem é somente do Inconsciente, ele é duplo, ele é o operante do inconsciente no sujeito e deste no inconsciente, assim ele representa no sujeito aquilo que é trazido do inconsciente e que o afeta, em um dado momento. (NÃO CREIO SER SATISFATÓRIA TAL PROPOSIÇÃO, SE É ESTA A INTENÇÃO DO AUTOR... O DESEJO É UMA OPERAÇÃO MUITO MAIS COMPLEXA DO QUE SE IMAGINAR ALGO TRANSPOSTO DO INCONSCIENTE, MESMO PORQUE O INCONSCIENTE É APENAS UMA REVERBERAÇÃO SEM CONTROLE, OU COM UM CONTROLE MAIS TÊNUE, DAQUILO QUE TOMAMAMOS CONSCIÊNCIA. ENTÃO, O DESEJO PODERIA SER UMA CATEGORIA MANIFESTA A PARTIR DE UMA SERIE DE CONEXÕES SÍMBÓLICAS NO PLANO DA RECORRENTE REPRESENTAÇÃO, DE ACORDO COM O CONTEXTO DE CADA INDIVÍDUO EM SUA CULTURA, COMO ARTIFICIALIZAÇÃO DA EXISTÊNCIA E JUSTIFICAÇÃO DO HUMANO...).

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  5. A idéia já é uma projeção do sujeito, projeção, transferência feita em função de um outro, ou seja, um desenvolvimento do desejo, e da representação do Signo. O signo é o traço unário, comum a todos presente no Inconsciente e por esta razão os hindus criaram Maya como aquela parte do inconsciente que afeta a psique (jiva); e Mahamaya como todo o inconsciente, que afeta a todos os Jivas. O fenômeno se faz representar como operação entre Maya, na ligação entre o Jiva e o Inconsciente, e se dá pela busca da identidade, Kundaliní, como comparador universal. (ESTE É UM TRECHO BASTANTE CONFUSO, PELAS DESIGNAÇÕES DO QUE JÁ CONHECEMOS NOS ESFORÇOS FILOSOFIA OCIDENTAL (CREIO SER IMPOSSÍVEL REINVENTAR A RODA...). A IDEIA QUE NÃO É CLARA NÃO PODE SE FIXAR COMO IDEIA, OU PLANO DE CONHECIMENTO, POIS FICA NO APENAS PENSAMENTO EM SI. ASSIM, E SOMENTE ASSIM, TEMOS A LINGUAGEM VERBAL (OU OUTRAS MAIS “POBRES”) PARA EXPLICAR ESSES E OUTROS FENÔMENOS. E O SIGNO, NESTE CASO, JÁ É UMA REPRESENTAÇÃO, QUE INDUZ, INEXORAVELMENTE, A UMA INTERPRETAÇÃO, QUE É A PRODUÇÃO DE SENTIDO. SE ASSIM NÃO FOSSE, NÃO PODERÍAMOS BUSCAR OU CRIAR SENTIDO NAS COISAS E PARA AS COISAS... O FATO DE O SOL SURGIR TODOS OS DIAS NÃO SIGNIFICA NADA, DO PONTO DE VISTA DE UM SENTIDO, DE UM VALOR, DE UM OBJETIVO FINAL, DE UMA REFERÊNCIA QUE NÃO SEJA O MECÂNICO REPETITIVO DAQUILO QUE DESIGNAMOS, NORMALMENTE, POR NATUEZA...)

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  6. Portanto o desejo representa o biunívoco operando como representação de si mesmo, produzindo a vontade, as idéias e também produzindo a comparação destas com o eu ideal, com o “senhor”, com seu si mesmo ideal - Ishwara. O ser fantasmático que é a Alma não deseja buscar a si mesmo (sic), mas é desejado, representado enquanto houver mais um outro no Universo. Pois Ishwara é o eu livre de qualquer lugar, tempo, e necessidade, portanto fora do inconsciente, livre de Maya. (O PERIGO ESTÁ QUANDO SE PRETENDE TOMAR O IDEAL COMO ALGO QUE DEVA SER OBRIGATORIAMENTE ALCANÇÁVEL, IMPOSTO. A PARTIR DE QUÊ, SENÃO DA PRÓPRIA REPRESENTAÇÃO DO MUNDO, PODEMOS CONSTRUÍ-LO? ALÉM DISSO, E TALVEZ POR ISSO, O QUE SIGNIFICARIA ESTA LIBERDADE EM SUA MÁXIMA SIGNIFICAÇÃO PRÁTICA, ESSA PRETENSÃO DE DESLOCAMENTO? VEJA QUE TERMOS COMO “IDEAL, EU, SENHOR, SI MESMO, ALMA” E OUTROS NECESSITAM, DEMONSTRATIVAMENTE, DE CONCEITUALIZAÇÕES MAIS PRECISAS, SENÃO CAEM EM QUALQUER LUGAR (SE É QUE ESXISTE) DA PRODUÇÃO DE SIGNIFICADOS. EM TODAS AS LÍNGUAS FUNCIONA ASSIM, POIS É ESTRUTURAL. E ESTRUTURAL DIZ RESPEITO A UM SISTEMA COMUM. ADEMAIS, DIZER QUE SE TRATA DO BIUNÍVOCO NÃO GARANTE NENHUMA CONCLUSÃO OU ESCLARECIMENTO MAIS DEFINITIVO, TAMPOUCO RESOLVE A QUESTÃO...)

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  7. Logo o desejo de voltar a ser aquele eu ideal não é o motivo do desejo, tudo que a Alma não deseja é ser este eu ideal, ela deseja ser este eu ideal, para os demais, através deles, e não para si mesmo, e então paradoxalmente quem chegou a conclusão da existência deste eu ideal, Ishwara, sabe que o desejo e o gozo já são o ser e o ter, não há outro, este outro ser e ter idealizado nada mais é que o uso do outro, para ser, algo impedido no Yogue. (O QUE A PODERIA RECONHECER A ALMA COMO TAL ENTIDADE? PSIQUE E ALMA SÃO MESMO UMA ÚNICA COISA OU APENAS NOMES QUE SE DÃO A PROCESSOS ABSTRATOS, DINÂMICOS E COMPLETAMENTE FORA DE CONTROLE OU PREVISÃO? COMO ESTABELECER, COM ALGUMA GARANTIA, ESTA RELAÇÃO? COMO DESIGNAR O QUE É DO QUE NÃO É, SENÃO A PARTIR DE UMA MESMA E SEMPRE REPRESENTAÇÃO DO QUE JÁ É E JÁ ESTÁ? O QUE SERIA, DE FATO, O DESEJO EM MEIO A TANTAS DÚVIDAS E INCERTEZAS? APENAS ALGO QUE SE DIFERENCIA DA NECESSIDADE, POR EXEMPLO?)

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  8. O desejo como representação legítima de si mesmo, portanto, é inescapável. E se por um lado temos o Desejo, ele requer um Gozo, gozo este que reivindica para si a manifestação, que é comum, que é de todos. É do Inconsciente. Por mais nobre, ou inédito que seja esta representação, ela será recuperada pelo mesmo processo que a criou, ou seja, será tomada novamente pelo Inconsciente, deixando o desejo sem o sentido que o fez se representar. (TRAFEGAR NA ABSURDIDADE PODE SER UMA AUTÊNTICA MANIFESTAÇÃO DO DESEJO COMO GOZO)

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  9. Um pensamento estruturante, ele segue adiante, representa e perde, pois o desejo quer sua perda. A perda como Gozo representa a possibilidade de continuidade, de um pensamento estruturado e aberto para novas representações que lhe serão dadas pelo Inconsciente. A lógica da Biunivocidade é atingir esta continuidade, entre a representação e a perda, para uma nova significação, o que coloca o Sujeito ao lado, junto da Consciência, pelo tipo de relacionamento que ele tem com o Inconsciente.
    (PENSAMENTOS ESTRUTURANTES E ESTRUTURADOS DECORREM DE QUAIS SUPORTES DE CONHECIMENTO, JÁ QUE SÓ PENSO A PARTIR DE...? NÃO CREIO QUE ESSA OBJETIVIDADE ENTRE SUJEITO, CONSCIENTE E INCONSIENTE ATINJA ESSE NÍVEL DE EXPLICITAÇÃO, OU MELHOR, SE DEIXE CONHECER ASSIM TÃO FACILMENTE. PELO CONTRÁRIO, NÃO HÁ, NO ÂMAGO DESSAS COMPLEXAS RELAÇÕES, UM ÚNICO FIO CONDUTOR QUE POSSA DIRIGIR O PPROCESSO EM UMA SIMPLES DIREÇÃO. SENDO ASSIM...)

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  10. POR HOJE, ESTÁ DE BOM TAMANHO...

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  11. PS.: NÃO SEI SE APENAS ALGUMA SOMBRA OU ESSA MULHER TEM MARCAS INDELÉVEIS NUMA DAS NÁDEGAS, O QUE NÃO INVALIDA A ESTÉTICA DE SEU CORPO NU NÃO FRONTAL.
    TAMBÉM NÃO SEI SE O COMENTÁRIO DO ANÔNIMO QUIS SE REFERIR, COM MICROFASCISMO, À MICROFÍSICA DO PODER FOUCAULTIANA...

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  12. "O desejo somente é tratado unilateralmente na crença ou pela metapsicologia. (ISTO É UMA AFIRMAÇÃO, A PARTIR DE UMA LEITURA CRÍTICA, OU APENAS UMA MERA CONSTATAÇÃO DO JÁ DADO? COMO PODEMOS COMPROVAR, DE FATO, ESTA UNILATERALIDADE, VISTO QUE O DISCURSO SEMPRE É MAIS ESCORREGADIO DO QUE IMAGINAMOS...? ALIÁS, O QUE SERIA UMA METAPSICOLOGIA NESTE CASO...?)

    Caro Insite
    Se o desejo fosse algo tangível, conhecido, seria objeto da ciência, como ele é uma Heurística, pode ser qualquer coisa, mas não pode ser algo definido pelo que é comum, então não é ciência e nem crença ou metapsicologia, deixando-nos apenas uma alternativa - representação.

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  13. "Na sua origem e uso pela Psicanálise ela se relaciona a Representação ou Vorstellung, pois abrange mais que o sujeito, mais que o ser. (ELA QUEM? DIGA-SE, A REPRESENTAÇÃO É A ÚNICA FORMA QUE TEMOS, ATRAVÉS DO SIGNO, QUE SE PÕE NO LUGAR DA COISA EM SI, PARA LIDAR COM O MUNDO, OU O REAL, SE PREFERIREM. NÃO CREIO QUE ISTO SEJA CAPAZ DE TRANSCENDER O SUJEITO, QUE DIRÁ O SER, POIS É A SUA PRÓPRIA FORMA DE CONSTRUÇÃO E EXISTÊNCIA. ACHO QUE SÃO APENAS CATEGORIAS FILOSÓFICAS PARA TENTAR APLACAR NOSSA ANGÚSTIA E O ABSOLUTO DESCONHECIMENTO DIANTE DA SUCESSÃO DE FATOS E FATORES QUE DESIGNAMOS COMO VIDA – A NÃO BIOLÓGICA, É CLARO!) "

    Insites

    Não está dito que o sujeito transcende etc, somente que o desejo representa algo mais que o sujeito!

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  14. É comum nos autores que desconhecem a obra de Freud relacionarem o desejo a idéia ou ao sujeito. O desejo nem é só do sujeito e nem é somente do Inconsciente, ele é duplo, ele é o operante do inconsciente no sujeito e deste no inconsciente, assim ele representa no sujeito aquilo que é trazido do inconsciente e que o afeta, em um dado momento. (NÃO CREIO SER SATISFATÓRIA TAL PROPOSIÇÃO, SE É ESTA A INTENÇÃO DO AUTOR... O DESEJO É UMA OPERAÇÃO MUITO MAIS COMPLEXA DO QUE SE IMAGINAR ALGO TRANSPOSTO DO INCONSCIENTE, MESMO PORQUE O "INCONSCIENTE É APENAS UMA REVERBERAÇÃO SEM CONTROLE, OU COM UM CONTROLE MAIS TÊNUE, DAQUILO QUE TOMAMAMOS CONSCIÊNCIA. ENTÃO, O DESEJO PODERIA SER UMA CATEGORIA MANIFESTA A PARTIR DE UMA SERIE DE CONEXÕES SÍMBÓLICAS NO PLANO DA RECORRENTE REPRESENTAÇÃO, DE ACORDO COM O CONTEXTO DE CADA INDIVÍDUO EM SUA CULTURA, COMO ARTIFICIALIZAÇÃO DA EXISTÊNCIA E JUSTIFICAÇÃO DO HUMANO...). "

    Sim esta é tese, o desejo como representação e a partir daí, sim podemos estudar mais a fundo onde e como isto ocorre, mas nada disto ainda foi apresentado, talvez Groddeck ou Lacan se aproximam disto, mas veremos como, mais a frente.

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  15. "A idéia já é uma projeção do sujeito, projeção, transferência feita em função de um outro, ou seja, um desenvolvimento do desejo, e da representação do Signo. O signo é o traço unário, comum a todos presente no Inconsciente e por esta razão os hindus criaram Maya como aquela parte do inconsciente que afeta a psique (jiva); e Mahamaya como todo o inconsciente, que afeta a todos os Jivas. O fenômeno se faz representar como operação entre Maya, na ligação entre o Jiva e o Inconsciente, e se dá pela busca da identidade, Kundaliní, como comparador universal. (ESTE É UM TRECHO BASTANTE CONFUSO, PELAS DESIGNAÇÕES DO QUE JÁ CONHECEMOS NOS ESFORÇOS FILOSOFIA OCIDENTAL (CREIO SER IMPOSSÍVEL REINVENTAR A RODA...). A IDEIA QUE NÃO É CLARA NÃO PODE SE FIXAR COMO IDEIA, OU PLANO DE CONHECIMENTO, POIS FICA NO APENAS PENSAMENTO EM SI. ASSIM, E SOMENTE ASSIM, TEMOS A LINGUAGEM VERBAL (OU OUTRAS MAIS “POBRES”) PARA EXPLICAR ESSES E OUTROS FENÔMENOS. E O SIGNO, NESTE CASO, JÁ É UMA REPRESENTAÇÃO, QUE INDUZ, INEXORAVELMENTE, A UMA INTERPRETAÇÃO, QUE É A PRODUÇÃO DE SENTIDO. SE ASSIM NÃO FOSSE, NÃO PODERÍAMOS BUSCAR OU CRIAR SENTIDO NAS COISAS E PARA AS COISAS... O FATO DE O SOL SURGIR TODOS OS DIAS NÃO SIGNIFICA NADA, DO PONTO DE VISTA DE UM SENTIDO, DE UM VALOR, DE UM OBJETIVO FINAL, DE UMA REFERÊNCIA QUE NÃO SEJA O MECÂNICO REPETITIVO DAQUILO QUE DESIGNAMOS, NORMALMENTE, POR NATUEZA...)"

    Insite não compreendi, pois se a ideia surge como represntação para um outro, ela já tem um sentido, o sol e a natureza que vemos , vemos pela nossa ideia que dela temos! Ideia já uma projeção do sujeito, este sim que é representação, mas para o outro ele é sujeito e não uma representação. O desejo como representação diz respeito somente ao sujeito e não ao outro.

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  16. insites

    Cultura é tudo que produzimos para o outro, e não apenas aquilo que é aceito pela comunidade acadêmica como "cultura", então é do indivíduo, contradição que temos que lidar, no dia a dia.

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  17. Mestre Bhava texto fantástico...muitos insights! grato!

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