quinta-feira, 22 de outubro de 2009

FAQ Sobre Tantra



Reunião de perguntas feitas ao mestre Bhava sobre Tantra, kundaliní, iluminação, Consciência etc

Leia com atenção, copie o texto e o estude detalhadamente antes de pedir a Diksha, as sessões particulares com instruções práticas com Kundaliní Yoga.









TANTRA

- Sabemos que seu processo de iluminação veio através dos métodos da secreta filosofia do Tantra, um sistema indiano de realização. O que é Tantra?

Tantra é uma palavra composta por dois prefixos, Tan e Tra. Tanoti e Trayati.

No hinduísmo o Tantra é classificado como uma escola dualista. O Tantra é Dvaita, é uma escola dualista da filosofia Vedanta a palavra sânscrita “dvaita” significa “dual.” Essa linha de filosofia foi estabelecida no século X, na Índia.
Em contraste com a escola Advaita de Shankara, do século VIII, o Tantra propõe a dualidade eterna entre a Alma (Atma), e Brahman (Deus), diferença esta que é tanto qualitativa como quantitativa. Enquanto a tradição Advaita, não dualista enfatiza a não diferença (Abheda) entre Brahman e o Atma, especialmente em termos qualitativos, o Tantra sustenta a separação e a distinção eterna entre ambas as entidades, ou Bheda, este sempre foi um ponto delicado na tradição Vedanta, que sempre foi Advaita, que sempre teve Abheda como seu princípio irrevogável - Ambos são de natureza espiritual e transcendentais ao mundo fenomenal.

- Houve algum acontecimento histórico que marcou esta mudança?

A filosofia dual do Tantra foi prontamente adotada por muitas seitas, que se sentiam incomodados diante da delicada situação de adorar um Ser supremo que era idêntico a todas as outras coisas, pois se não havendo dualidade entre a Alma (Atma) e Brahman, adorar um burro é igual a adorar a Deus. Houve assim uma proliferação de crenças em animais, coisas, pessoas - pois todas eram Deus, e tudo é Deus por este ponto de vista. As pessoas e os animais se misturaram...Até formas como Mandalas assumiram esta representação etc. Então o fato é que não havia mais uma representação de Deus, todas eram válidas e assim nenhuma era a mais próxima de Deus. E mais, esta visão trouxe uma perigosa perda de expectativa, então não havia nada que pudesse ser feito por uma pessoa, tudo era Deus.

- Entendo, a visão Advaita pulverizou a crença na não dualidade na Índia. E daí surgiu o Tantra?

Os conceitos filosóficos do Tantra são um tanto radicais, além da proposta herética de dualismo aos olhos da filosofia Advaita Vedanta, ele também propõe a tese da condenação eterna, o ser nascido estaria condenado a ser eternamente, coisa enfaticamente rejeitada pela maioria das escolas do hinduísmo que crêem na salvação da Alma por um processo de vidas contínuas. No Tantra a Alma não irá se salvar, mas poderá transcender seu aspecto pessoal para um aspecto mais cósmico, por sucessivas experiências de Brahman, os Samádhis. Logo, para o Tantra, existir não é ser Deus. E Experimentar é ser Deus. Então no Tantra não há salvação da Alma.

- Isto ainda está um tanto obscuro, foi isto alterou a qualidade da busca espiritual?

Completamente. Muitas escolas hindus advogam o preceito do Sahaja, ou caminho da liberação espiritual espontânea, como sendo o trajeto invariável do Atma, após um longo Samsara, ou ciclos de nascimentos e mortes da Alma. E que a Alma, finalmente se emanciparia deste mundo dual e temporal. Veja que nessa questão não costuma haver dualismo, ou seja, o sentido da degradação da Alma vida após vida é impossível, já que Brahman e Atma (Alma) teriam a mesma qualidade espiritual, e se Atma ou a Alma se degrada, Brahman também o faz, e isso é impossível, pois essa inferência nega o Shruti que diz que Brahman é perfeito e estável em todos os aspectos. Logo caem os aspectos transcendentais do Avdaita. Se tudo já é Deus, Consciência, então os aspectos transcendentais não existem no Vedanta Indiano. O que seriam?
Segundo as escolas de Vedanta o Atma, a Alma, é um Moksha-yogina e não um Tama-yogina, isso é; a Alma, Atma, está preparada para a liberação e não para a escuridão eterna. Negar esse princípio é negar o próprio caráter ariano dos Vedas, já que ariano quer dizer progressivo, evolutivo. Então a vida do Advaita é um processo progressivo através de muitas idas até ser Brahman. Então o sujeito já é Brahman, e ao mesmo tempo não é, e para ele ser precisa sacrificar alguns aspectos da vida, levando a cultura a ser bitolada pela meta espiritual. Então pelo Advaita nada nos afasta ou aproxima de Deus, o que entra em choque com a cultura e a tradição e com qualquer método espiritual.

- Ou seja, para o Vedanta, o individuo e sua vida espiritual estão na tradição e na família?

Isto mesmo. Já com o Dvaita, com o Tantra, o hinduísmo passou a poder contar com um aspecto filosófico bem mais próximo das religiões semíticas que adotam concepções duais entre a deidade e as Almas individuais e que são bastante rígidas na proposição de diferentes destinos tanto para os piedosos como para os pecadores.
Então o pecado é um afastamento de Deus?
Se o sujeito peca não é por que Deus quer?
Compreende agora o embaraço desta doutrina não dual?
Mesmo com o Dvaita continuou a exploração do princípio do Karma como uma lei. Mas as implicações disto são enormes, pois no Tantra Deus não age e nem controla a natureza, ela segue leis próprias fora do controle de Deus, então Deus ou Brahman é um principio de consciência concebível e conhecível. O “Tat Tvam Asi”, do Vedanta passa a ser “ver-se como se é”. Então no Tantra a dualidade é trazida para o indivíduo, e Deus passa a ser um principio de consciência, a sua fonte inseparável. Isto é o exotérico.

- Deus não controla a natureza?

Não, Deus não controla a natureza, ela tem leis próprias que absolutamente nada tem a ver com Deus. Nem mesmo a natureza foi criada por Deus, ela surgiu de sua presença como manifestação material, mas não é Deus. A natureza , Prakriti, segue suas leis próprias. Existe e continuará existindo por que Deus está presente como Consciência em tudo, mas não age, nunca agiu e nunca agirá.

- Parece que a fé como uma força individual, como a nossa vontade, fica bastante comprometida no Tantra, pois nele, Deus, não age. Como isto se explica?

A fé vem da crença na interferência divina, mas para o Tantra, todas as forças são divinas, a Consciência está em tudo da mesma forma, então a fé é na natureza e não em Deus, esta fé se dá pelo conhecimento destas forças e de como operá-las. A Fé Advaita vem de Deus em todas as coisas e que este Deus não é dual, ou seja, o religioso se submete ao destino, pois ele é seu karma, seu caminho natural. A investigação espiritual, o Tantra, começa quando o homem separa Deus da natureza. Isto tem implicações muito grandes, como o reconhecimento do outro, no Advaita Vedanta o outro não existe, no Tantra o outro existe, o outro é uma outra dualidade, uma outra Alma, com uma outra fé, mas com a mesma Consciência. Aquilo que passa a existir entre os sujeitos e suas almas são um pacto social, mas no Advaita não, nada interfere na vida, nem o outro. No Tantra há uma sociedade entre as nossas Almas, uma cultura, e não há nada entre nossas consciências. Isto é importante.
A fé como uma expectativa pode vir daquilo entre nós, do desejo, da sociedade ou da consciência, a fé como expectativa é espiritual - de que nós somos a mesma consciência. O desejo vem da alma, do eu, de que posso ser melhor que você, ter mais etc A referência do desejo é social e cultural, mas a referência da consciência é nula, é só uma separação que produz uma expectativa.

CONSCIÊNCIA

- O senhor quer dizer que só há uma Consciência humana?

Isso mesmo, só há uma Consciência humana.

- Não existem varias Consciências que se comunicam entre si?

Não, só há uma Consciência e justamente por ser apenas uma só Consciência há comunicação entre nós.

- Sempre foi uma única Consciência?

Sempre foi e sempre será uma única e mesma Consciência.

- O que nos separa é nossa Alma, nossa cultura, nosso eu, a nossa existência nos separa da Consciência?

Exatamente, a nossa existência é aquilo que nos separa, cria a ilusão de eu e de você. A ilusão se dá por que meu corpo é separado do seu, tivemos uma historia diferente e circunstâncias diferentes. 

- A Psique também está separada dos demais?

Passamos a existir como Psique quando damos conta deste isolamento, desta separação, de alguma forma. Se somos a mesma Consciência não pode haver eu e você, então para dar conta de ser você, é necessário uma psique.
Falamos, comunicamos o fato de sermos diferentes, marcamos a nossa diferença por um discurso que nos separe e ao mesmo tempo dê conta desta separação, pelo mesmo discurso que nos separa.

- A psique ou a Alma está em comunicação com outras psiques?

Indiretamente sim, cada psique se comunica com a Consciência no outro e então as psiques estão interligadas, isto é o Inconsciente.

- Aquilo que nos separa o senhor chama de Alma, Psique, eu?

Sim, imagine antes, éramos a mesma Consciência então não havia comunicação entre a Consciência e ela mesma, não há necessidade alguma, então esta Consciência é eterna, não está no tempo. No momento em que esta Consciência está em um corpo diferente do corpo da sua mãe, especularmente é preciso um intermediário entre a Consciência e ela mesma. Então qualquer coisa que se faça será diferente da Consciência mesma. Mesmo que você diga que é a mesma Consciência, já há diferença compreende? O Ser até mesmo para ser esta Consciência precisa de uma Alma, de uma psique, de um eu. Entretanto eu posso falar com minha consciência através de minha Alma, falando, escutando, os outros.

- O que o senhor nos diz é que falamos com nossa consciência através dos outros?

Precisamente, eu tenho acesso a minha Consciência conversando com você e por sua vez você tem acesso a sua Consciência conversando comigo.

- Não posso ter acesso a minha Consciência sem o outro?

Jamais.

- Então muitas meditações são um diálogo imaginário?

É o que tenho dito todos estes anos.

- Usamos um ao outro para ter Consciência?

Não há outra forma de ter Consciência. Veja, se minha Alma ou psique me proporciona a capacidade de falar, de usar símbolos, é por estes símbolos que posso falar comigo mesmo na Consciência que está em você. Isto gera entre nós um Inconsciente, eu tenho acesso a minha Consciência por você e você tem acesso a sua Consciência através de mim. Esta ponte que usamos é o Inconsciente, algo que nos separa e ao mesmo tempo permite um acesso cruzado.

- E se eu falar comigo mesmo?

Isto é o pensamento, o uso de sua Psique para pensar, imaginar, e para tanto é preciso que você se divida em dois, que você crie uma separação dentro da separação. Um outro eu, um alter ego, que na verdade é triplo. A Consciência não participa desta dialética.

- Qual é a origem do pensamento?

É a memória, é o que eu fiz, é um passado trazido para um presente, o passado é conhecimento, que foi fruto de experiências psíquicas.

- Esta dinâmica psíquica não tem a participação da Consciência?

Não. A única vontade da Consciência é ser imutável, então ela é. A sua presença possibilita um desenvolvimento triplo da psique. A Consciência, Shiva, não está separada da sua energia Shakti, ele é imutável, eterno. A Alma surge como um eu que afirma ser, tem a vontade, eu sou; eu sou isso; e isso sou eu.

- Correto. Dizer ou pensar “eu sou” já é a Alma quem diz. A intermediação pela linguagem?

A linguagem é o que dá conta de ser um eu, mas ser este eu é uma separação da consciência. Então o processo de iluminação é transcender a linguagem, que é o mesmo que transcender a Alma ou o eu. A psique é feita de linguagem, de letras e palavras, de sons.

- Isto me leva a outra questão sempre bastante complexa no hinduísmo, os chakras. Eles então pelo que o senhor afirma são feitos de letras, sons e não de luz?

Os Chakras são a estrutura da Psique, uma organização do alfabeto, um corpo de sons, uma memória sonora. A Consciência é luz, os Chakras já são a luz tornadas sons.

- Os Chakras são agrupamentos de letras?

Os Chakras já são centros da psique que possibilitam a nomeação das coisas, pela combinação de letras. Então se eu digo a palavra cadeira, você ouve pois, a mesma combinação é possível em você, já estava em você. Então a fala e o pensamento são trocas em forma de símbolos.

- Eu não poderia escutar se não tivesse em mim?

Sim, é preciso que esta matriz ou Matrix esteja pronta em você, uma forma de manifestação da matéria, a matéria é Máyá. Esta teia universal se formou em poucos segundos após o Big Bang, esta teia é a nossa Matrix, uma organização energética do universo, a natureza, a matéria.

- O princípio de manifestação de Deus é Máyá?

Não, Máyá é a matéria como seu todo, que se revela em partes, que vem de outras partes até o fim do processo como ele está hoje. O princípio da natureza em relação ao homem é Prakriti, e a Alma é Purusha, o homem , mas não é Deus. Toda a natureza para o homem é Prakriti e todo o princípio de Consciência desta natureza é Purusha, a Alma. Há a presença de Deus na natureza como um princípio inoperante. Máyá é todo principio de manifestação do Universo como matéria, desde uma partícula, um fóton, até os átomos, matéria e antimatéria são Máyá. Mas Máyá não é fenômeno e nem uma ilusão e sim a matéria em sua totalidade. Entretanto, Deus como a Consciência contínua, sendo a mesma sempre, não há o desejo desta Consciência em estar emalgum aspecto de Máyá, ele é todos o tempo todo. Se o próton é uma partícula e o elétron outra partícula, Deus é indiferente, está nos dois da mesma forma.
A natureza se divide, se particiona, é Kála, Deus é Akála, não se divide, está em tudo da mesma forma.
- Isto significa que Deus não criou e nem interfere na matéria, mas que ele é eterno?
Sim, a qualidade de Deus, da Consciência, é ser eterna e imutável. É uma estrutura sempre ausente. Mas não é a antimatéria, não é nada que possa ser concebido.
Isto significa que temos que reconhecer, a vida é dupla, uma vida que nos expande pelo desejo e pelo gozo, Tan; e outra que nos recolhe a si mesmo pelo Tra. Temos assim o desejo e a vontade e logo a paz e a quietude, o recolhimento em si mesmo como uma expectativa futura..

-O eu é a Consciência, é Deus?

Não, o eu nasceu, se formou, se fez, a consciência sempre foi. Então nós somos duplos, um Eu que se fez pela cultura e pela linguagem e a Consciência eterna. O Eu é a Alma, é o Purusha, é o Homem, é o sujeito.

-A linguagem fez o Eu?

Exatamente, e pela linguagem surgem as circunstâncias de ir além deste eu, uma expansão do eu, pois a linguagem cria uma circunstância para a Consciência se manifestar como fonte. Alterar sua estrutura.

Somos um Eu que se faz pelos nossos desejos e somos uma consciência, além dos desejos. Este jogo duplo que a vida é - é Tantra. O eu nasceu e precisa se fazer, a consciência é tudo, está pronta, sempre estará e sempre será a mesma, Deus.

Para dar conta da realidade criada pela cultura este eu precisa se fazer, e a consciência não precisa de algo, ela é sempre. O Tantra é Dvaita, pois a Alma, o sujeito, o eu, etc sempre será distinto da consciência.

- É possível ao eu ser uma Consciência?

Eu lhes digo que Sim, pela via do Tantra é possível. Pela via do Tantra este eu pode ser a consciência pelo desejo e não pela negação do desejo.

Você tem sido confundido, de que o seu desejo representa justamente aquilo que lhe impede de ser, que o seu eu já é verdadeiro. Que Deus e que o seu eu sejam a mesma coisa, mas não são.

Você tem sido sistematicamente enganado, desta forma.

O eu nasce, cresce e morre. A Consciência não nasceu não cresce e nem morre, ela é. Sempre.

Por este fato cósmico você vive uma vida dupla, em uma gangorra cósmica, sendo o eu e sendo a consciência, si mesmo.

Então por mais feliz e próspera que seja a vida do eu, lhe falta sempre algo. Então lhe é dado uma escolha, escolher entre a vida do eu e a da consciência.

Se você escolher seu eu viverá uma vida limitada pela morte, o que é um alívio, é bom saber que se morre.

Má noticia: Na hora da morte nem o eu morre e nem a consciência se liberta dele.
Boa notícia: Você pode ser esta consciência, nesta vida mesmo, e em qualquer vida daqui para frente.

- O que torna o eu uma Consciência?

A bem aventurança, aquilo que é bom, é o que aproxima o eu da Consciência. Mas o eu confunde o fato de ser bem aventurado com ter isto somente para ele, o eu se recorta do universo para ser, ele Viola a lei da Consciência. A clínica psicanalítica ajuda, pois o psicanalista lhe devolve seu eu, e então os problemas e os gozos de sucesso são seus. E você precisa se responsabilizar pelos dois, a parte ruim e a parte boa. Então se uma pessoa se responsabilizasse totalmente pelo seu eu, seria iluminado, seria a Consciência. Como isto é muito raro, resta a outra via, que chamamos de Kundaliní.

Então o desejo do eu leva ao estado de gozo e o gozo ao estado de não desejo, de ser a mesma consciência universal, mas logo, surge o “Eu sou”, que se recorta novamente do todo, e que leva a um novo desejo. Você esquece a fonte, sua Consciência.

- Se situamos o gozo como a instância que liberta, nos enganamos?

Sim, nos enganamos completamente, não pelo fato do gozo ser tudo e sim por que nos apropriamos dele selvagemmente. O gozo nos dá mais que o eu pode obter, comportar nele. Então o gozo ultrapassa o eu, e ele precisa voltar a um novo desejo, o eu precisa confirmar este gozo, pelo outro. Isto é a pulsão, a pulsão detectada por Freud e a instância do outro detectada por Lacan.

Analisemos este eu: Ele é formado pela separação de sua mãe, como corpo e como psique, ele se faz sujeito buscando preencher uma falta. Ele surge como sujeito e se torna um eu ou uma Alma ao ter que dar conta da realidade do mundo, como corpo e psique. Este eu até 4 ou cinco meses era a mãe e tudo no mundo, ele era o mundo e o mundo era ele, e lá na separação da sua mãe ele se inaugura como sujeito, que vive justamente para reparar aquela falta. Freud e Lacan detectaram isto.

Agora este eu busca suprir sua falta colocando algo, desejando, para tampar o furo de sua falta, e cada vez que deseja sente que pode voltar ao paraíso, sente que pode voltar a ser uma Consciência. Tenta e acredita que pode conseguir, mas nada dá conta. O que lhe fez como eu, como Alma, foi a separação, a Alma ou o Eu surgem para reparar uma falta, a da separação da Mãe como corpo e como Psique. Este gozo perdido é o que eu é, ele é um reparador do fato.

Então Justamente o gozo que lhe aproxima do si mesmo, não preenche, por que o gozo ultrapassa o que cabe no eu, o eu deseja, mas o desejo dele é limitado ao que ele se fez como sujeito. Já o gozo é universal, é a consciência.

O sujeito pensa que MAIS gozos possam preencher seu eu, mas o problema não está no gozo e sim no eu. Todo gozo dá mais que o eu é.

A crença em uma simetria entre o eu e o gozo é a pulsão dele, na busca deste preenchimento que não termina. A pulsão é a crença na simetria entre o eu e o gozo, simetria que só pode ocorrer em uma linha de tempo, a contabilidade do gozo.

Então o desejo do eu é limitado, mas o gozo é ilimitado. O que o eu deseja é limitado pelo seu próprio desejo. E o gozo sempre lhe dá sempre mais do ele deseja, ultrapassa sua condição de eu.

A perspectiva do Tantra sobre a realidade é simples: o seu desejo é que é mesquinho, pequeno, e limitado, você deseja pouco, ganha sempre mais que aquilo que desejou e fica insatisfeito, pois percebe que desejou pouco.

A iluminação é uma simetria entre o gozo e o eu, mas o eu é uma parte do todo, e o gozo é do tamanho do Universo, ele é a pura expressão da felicidade como Ananda; como Ser, Sat; então é necessário um conhecimento Cit , do que seja a Consciência Universal, para ser SatCitAnanda.

- Deus não está na Alma do Homem?

Deus está em tudo, mas a Alma é a exclusão da Consciência em favor de uma consciência pessoal, individual, uma parte. Deus está negado na Alma. A Alma é a luta pela exclusão de Deus, nela, pelo desejo de ser uma parte, de ser um pedaço do Universo, mas o gozo lhe dá mais que aquilo que ele comporta. A culpa não é do desejo, e sim de que este eu é uma construção individual em cima de uma Consciência universal. E o gozo que liga os dois é uma coisa divina.

- Como saber o que é ser a Consciência universal? Como colocar isto em um desejo? A parte pode representar o todo?Esta simetria pode ser obtida de alguma forma?

O Tantra nos diz que sim. Que o gozo pode ser feito por um processo de meditação que dê exatamente a medida do desejo do eu, que satisfeito encontra a Paz. E assim sucessivamente por esta meditação especial, começar uma simetria entre o eu e o gozo.

Você fica feliz quando as coisas se encaixam, quando há uma simetria entre você e a realidade, quando o seu gozo não ultrapassa o desejo! Na verdade sempre ultrapassa, é com este resto que ultrapassou que o Tantra lida.

Esta forma secreta de realização foi chamada de Kundaliní. Ela, Kundaliní, representa a energia do gozo, que sempre excedeu o desejo do eu, trazendo a insatisfação. Se esta força é despertada para dar um gozo simétrico ao eu, e depois seu resto voltar e ser guardado lá no lugar onde ela dorme, não há mais gozo que o eu. O eu experimenta ser a Consciência mesma. Então o gozo foi obtido e seu resto guardado.

- Como Guardar isto?

Aí surge uma estrutura indiana, o Puja. O agradecimento para alguém que lhe deu isto, vejamos que o Puja, que é uma etiqueta, propicia o reconhecimento de mais alguém, como uma outra pessoa, que também é uma consciência como você. Sem o Puja você não guarda sua Kundaliní, não encerra o gozo, e aí estará embrulhado com a realidade novamente. Haverá mais gozo que o desejo.

- Kundaliní representa uma energia que produz o gozo?

Esta é a visão correta do Tantra. Um poder heurístico que produz o gozo. Kundaliní é toda a energia do universo mobilizada como Gozo, um poder enrolado, um poder serpentino.

- Alguma outra alternativa?

Os sonhos já fazem isto, mas de forma inconsciente, dando ao eu um gozo conforme seus desejos, e existe uma enorme diferença entre o desejo e a expectativa, mas como é um processo inconsciente tudo ocorre sem reflexos no eu. Os sonhos são a elevação desta força kundaliní conforme as necessidades do eu.

O Tantra faz este processo na vigília, quando o eu está ativo e não quando dorme, como nos sonhos.

O sonho é um desejo que sempre cabe no gozo, mas o desejo na vigília não cabe, pois o sonho ajusta o símbolo ao desejo, então qualquer símbolo tem o sentido do desejo e do gozo daquele desejo. O sonho traz a sensação de plenitude, pois desfaz o fantasma que é o eu.

Este desfazimento diário pelo sono e sonhos, “purifica o fantasma”, “lava a Alma” desfaz os vínculos dele com o mundo, vínculos feitos através de metáforas e metonímias. Assim o eu como um fantasma somente pode se comunicar pela linguagem e não diretamente. A linguagem é uma intermediação que dá conta, mas gera o fantasma. A Alma ou Psique é um corpo de linguagem, de som. O Samádhi como um gozo sem restos, recoloca o eu na dimensão do desejo, lhe dá o êxtase de ser esta consciência.

Então a dualidade do Tantra, comporta uma possibilidade real, de ter a experiência de ser aquilo que você é.

Com isto a sua noção de Deus, de si mesmo, se aprimora, ele é Ista, Imutável diante do tempo e da natureza. Este Deus imutável é o Deus dos Yogues. É a Consciência mesma.

- Deus é o mesmo para todos nós?

Exatamente, Deus é a Consciência, é ela mesma. A nossa noção dele é que evolui, Deus é Consciência.

- Um indivíduo iluminado pelo Tantra, se aproxima de Deus, é um sentimento ou um conhecimento que produz esta sustentação?

Quanto mais o eu é consciente, mais ele é Deus, honestidade e inocência, são os sentimentos que geram a Paz.

- A inteligência é um dom espiritual?

A inteligência é a capacidade do eu de lidar com os desafios da realidade. Como disse antes, o eu é um representante da consciência, para a consciência não existe evolução, ela é tudo, sempre foi, e sempre será. Então a inteligência é uma sagacidade ou esperteza do eu, a consciência não tem inteligência alguma, ela é imediatamente tudo que existe e passe a existir. A necessidade de lidar com a realidade, dar conta dela, é uma qualidade do eu e não da consciência. Veja que esta necessidade é em relação aos demais eus e não em relação a consciência.

- Qual o sentimento de ser a Consciência, de ser Deus?

Imediatez com tudo. Se este eu se desfez pelo processo do Tantra, não há mais o tempo para ele.

O que nos separa é o tempo, o eu existe pelo tempo, mas a Consciência existe sem o tempo.



O INCONSCIENTE

- O Inconsciente é Deus?

Se tomarmos o inconsciente como um lugar, sim, ele é Deus. A “mulher” para o Tantra é sagrada pelo fato de ser um lugar, o lugar de origem de todos. A mulher sacrifica sua posição como eu. A mulher é a porta do Inconsciente para o eu, é Deus para o Eu. O eu surge como uma estrutura que lida com a separação do inconsciente, com Deus. Ao nascer, a criança e a mãe são um só corpo, a criança não sabe que ela é ela e que a mãe é a mãe. Quando ela vê no espelho que a mãe é uma imagem e ela uma outra imagem, o sujeito se inaugura como uma estrutura que dê conta deste fato, o eu surge para dar conta da separação com a consciência, com o inconsciente, com a mãe. Isto é a castração Freudiana. O falo, o Linga, que é um termo sânscrito, esta estrutura evanescente irá buscar reverter sua castração, encontrando um lugar, uma Yoni, que lhe devolva o gozo de ser a consciência novamente. Ao mesmo tempo que a “mulher” representa a possibilidade de voltar ao estado iluminado, ela é a causa da separação. Entre nós e o inconsciente está a mãe. Então a mulher é a porta para Deus, para o gozo, para o Inconsciente, para a Alma se comunicar com a Consciência.

- Como, ou qual é a interconexão deste fato, o da castração, com Kundaliní?

Quando tentamos voltar a ser a Consciência, e o fazemos através de tudo que dizemos, pensamos e agimos, tentamos e não conseguimos, e tentamos de novo...esta pulsão de tentar reverter nossa saída do Consciente se faz pelo Inconsciente, se faz por um processo, de pôr energia nisso, e cada vez que não conseguimos voltar ao paraíso, esta energia retorna, e isto produziu no homem o sono e os sonhos como um restabelecimento inconsciente de voltar a ser.

O Inconsciente liga, está entre o Consciente e tudo como uma supersimetria, então tudo que a Alma faz é uma ponte para a consciência. Esta ponte é o Inconsciente.

Ao dormir o eu esquece, a alma esquece de si, cai em esquecimento, e Kundaliní sobe, refaz a união perdida, desfaz a castração. Acordamos renovados pelo sono e sonhos que refizeram este processo.

O Tantra ao investigar melhor o homem, concluiu que era possível fazer este processo na vigília, e assim surgiu o método de Kundaliní. Então o eu ao sofrer uma experiência consciente, ele é a consciência mesma de “ser Brahman” ou “Ser Deus” , por alguns momentos, e depois volta a ser o eu. Atravessa a ponte e depois volta pela mesma ponte. Precisamente este é o processo de Kundaliní, uma meditação, que conduz esta força de volta a sua origem, produzindo o gozo e voltando a ser guardada lá no Chakra Muládhárá.

- As técnicas yogues sofreram influência do Tantra?

Sim, e muito, antes do século X, antes do Tantra surgir, o Yoga era somente filosófico, como está descrito nos Yoga Sutras de Patanjali. Com o advento do Tantra muitas técnicas e conhecimentos sobre a natureza foram aprendidos. São os segredos do corpo e da psique. Até chegar-se ao máximo de produzir a elevação da força Kundaliní por meios técnicos. É bom salientar que o Samkhya foi fundamental como base para a filosofia Dvaita do Tantra, da mesma forma que foi base para o Yoga.

- Existe de fato o Inconsciente?

Claro que sim, tem que existir um intermediário entre tudo, este intermediário, esta ponte é o Inconsciente. Ele é o meio entre tudo, o Universo se manifesta biunivocamente, mas o Inconsciente não é um meio físico como os antigos acreditavam como Éter, não é uma substância.

Temos dois vieses, a física estuda a natureza e seus fenômenos, a psicanálise estuda a Consciência e seus fenômenos, então na física o Inconsciente é uma supersimetria, algo que possibilita a parceria entre as partículas. No plano psicanalítico o Inconsciente se manifesta para a Psique como linguagem, como letra, que faz o sujeito dar conta de sua separação da consciência pela linguagem.

Como já disse antes há um erro ao considerar Máyá como este véu entre os mundos, então o Inconsciente não é Máyá. A manifestação do Inconsciente na Alma se dá pela biunivocidade da Alma, isto significa que um sujeito, que uma Psique, que um eu, se relaciona com outro Eu, Alma, Psique, para ter acesso ao Inconsciente - Ele não tem este acesso, sem o outro. O inconsciente está na expectativa de uma pessoa, expectativa de gozo, de ser a consciência.

O homem vive por que tem expectativas, vive por que tem uma ligação com o Inconsciente, ligação esta que é indireta, fixada na causa, no fundamento do Tantra, que ele e o outro são a mesma consciência. Estas expectativas são a manifestação do Inconsciente na Alma, no eu, ou como você queira chamar. Há algo nesta expectativa que gera um apaziguamento, como uma sabedoria de pano de fundo dizendo, “somos a mesma consciência, intermediados pela psique, pelo eu, pelo ego”. Esta cumplicidade silenciosa entre todos nós é uma expectativa, é da ordem do espiritual.

O homem sem expectativas está desligado do Universo, está vendo o mundo através de sua Alma, de seu eu, está foracluído. Esta expectativa que lhes falo é sempre desconhecida, pois ela é Inconsciente, e para dar conta desta separação absurda entre nós, nós falamos, construímos uma cultura etc

- O que o senhor nos diz é que a expectativa é a manifestação do Inconsciente?

Sim, expectativa em algo desconhecido, aquilo que está entre nós pode ser conhecido, mas aquilo que nos une biunivocamente não pode ser conhecido, mas sentido, percebido como expectativa. Se há a apropriação deste sentimento, ele já é um desejo, não há paz, há o desejo de ser a Consciência, mas pelos símbolos da Alma e não da Consciência. O desejo ainda inconsciente é a expectativa, e o segredo é manter esta expectativa, então o Inconsciente estará aberto ao seu desejo, estará aberto para você. Há algo ligando você a tudo. Uma ponte com Deus.

A ILUMINAÇÃO

- Esta expectativa não pode ser somente minha, pessoal?

Ela sempre é sua, o desejo é a uma parte consciente, simbólica, e a expectativa é a parte inconsciente do desejo, se você se fixa somente no seu desejo, há uma limitação, uma perda gradativa de conexão com tudo.

- Esta expectativa é uma experiência?

Sim, ela é uma experiência de ser a Consciência, e assim ser tudo, ser tudo, é ser Brahman. É um gozo que gozamos antecipadamente. Todo gozo tem uma antecipação, uma brisa espiritual, pelo fato de que temos uma certeza mesmo vaga, que aquilo que imaginamos é real, e a parte que cabe a consciência é real mesmo, este contato indireto com o si mesmo, é a expectativa. Um gozo, um Samádhi.

Então quando imaginamos o nosso desejo antecipamos o nosso gozo, por uma expectativa, se esta expectativa está fora do que é a realidade, sofremos o revés deste gozo, pois nos perdemos, nos embrulhamos com a realidade, pelo desconhecimento dela. A energia colocada neste gozo ultrapassou aquilo que é factível, e aí o gozo e a expectativa nos dão um gozo que ultrapassa o eu ou a Alma. Portanto sobra energia que foi mobilizada neste gozo, neste Samádhi, esta sobra precisa voltar e ser guardada lá no nosso centro raiz, no Muladhára, esta operação de ter o gozo e guardar o resto desta energia, é o processo de Kundaliní.

Normalmente é preciso que o indivíduo durma e sonhe para ter o seu gozo, e desfazer os vínculos do excesso pelos sonhos. Agora imagine acumular isto por 30 , 40 anos.

Cada Alma comporta um gozo, e este gozo que ultrapassa o que cabe nela, lhe causa mais transtornos que benefícios.

A Iluminação é um processo que enfrenta o seguinte desafio: Sou um eu ou uma Alma formada pela falta, pelo meu desligamento da Consciência que vivia em um gozo eterno; surge então uma ponte, o Inconsciente, que me liga a esta Consciência, me permitindo ter o desejo; mas o meu desejo produz um gozo que ultrapassa o que sou como Alma, esta energia precisa voltar para mim; tenho o gozo que me reúne a Consciência e ao mesmo tempo tenho que voltar a ser a Alma pois o que obtive como gozo não cabe em mim.

- Qual é a lógica a ser empregada para resolver este dilema, este Paradoxo?

Temos duas lógicas. Descobrir a medida que cabe e é justa para a Consciência; ou guardar o que sobrou de energia desta experiência.

A primeira é paradoxal, pois somente posso aprender a primeira alternativa colocando a segunda em prática!

Então tenho que despertar a energia para o gozo que me faz Consciência, e depois tenho que guardar o que restou desta energia! Desta forma tenho a experiência de iluminação e não tenho o ônus dela, pois fiz esta energia retornar a sua origem. É A experiência me faz aprender o que é ser uma Consciência e, por conseguinte ajusto meu desejo da Alma a cada vez ter um gozo mais adequado a Consciência. Este processo é Kundaliní, é o Tantra.

Estou utilizando aqui para vocês as expressões mais energia, menos energia, gozo que cabe, ultrapassa etc como aproximações de um processo que é cósmico tem uma linguagem que não compreendemos, pois não possui o tempo e nós como Almas, psique, como eu, vivemos pelo tempo.

Deus é um só, único e imutável, eterno e imperturbável – é a Consciência. Buda quando promulgou o Anátman, a inexistência da Alma, estava correto, a Alma é um construção vazia, nada do que ela possa imaginar poderá ser a Consciência, mas como o que temos é a Alma, a nossa Psique, é ela quem somos, e por ela podemos ir tendo experiências de ser o todo, que a modificarão, são as experiências que modificam a Alma rumo a Consciência.

Esta experiência foi chamada de Ishwara Pranidhana, ter uma experiência de Ishwara. Um grande segredo indiano de como uma Alma pode se libertar através de experiências que lhe aproximem de sua verdadeira natureza.

- Pelo que o senhor nos disse a Alma é um produto desta vida e a Consciência é eterna, como se dá a transmigração ou a passagem de uma Alma para uma outra vida, ou outra Alma?

A Alma é uma construção desta vida, mas as suas tendências são herdadas, estas tendências ficam latentes, e se manifestam nas circunstâncias, a circunstância revela a estrutura, e esta estrutura é que é herdada.

Então a Alma é uma estrutura herdada de outras vidas e revelada pela circunstancias desta vida. Na ocasião da morte a energia do indivíduo se reúne definitivamente com a Consciência, e isto há que gerar alguma estrutura ainda desconhecida, no Tantra chamamos esta estrutura de corpos.

O corpo físico, o corpo de desejos ou corpo de sonhos, e o corpo mental. Os três formam uma unidade como Alma, cada um deles possui um tempo até seu desfazimento completo. Mas lembro do fato: Para a Consciência não há tempo, então eu posso ser uma outra pessoa em tempos diferentes agora mesmo! A consciência pode ser todos ao mesmo tempo!

Ela é você me fazendo uma pergunta nesta entrevista e ela sou eu lhe respondendo! Então a reencarnação como um processo do tempo, é um fato, mas é desprezível ante a realidade que é a Consciência.

Sempre que a estrutura não é a Consciência, ela precisa de alguma forma retornar, isto significa utilizar o Inconsciente como uma ponte para a Consciência. Isto é claro.

- A iluminação teoricamente pode ser descrita como ser esta Consciência durante a existência da Alma, ou seja, durante a vida. O senhor diz que isto é possível pelo processo descrito como Kundaliní. Há outro caminho?

Não creio em outro processo por que é impossível, estamos diante de um paradoxo, o sujeito, a alma, se forma para dar conta da sua separação com a Consciência, veja que não digo Inconsciente, o Inconsciente é aquilo que passa a representar a Consciência, uma intermediação, mas não é a Consciência, então o sujeito surge como efeito de sua separação da Consciência, antes desta separação não existia a Alma, não existia um eu, ele era a Consciência, mesmo que aquele ser desejasse ser apenas a Consciência, este desejo já o separaria da consciência, pois ela é tudo, logo o sujeito, a parte, a Alma, surge para dar conta de uma separação especular, o assujeitamento.

Esta lei que separa, que torna o todo na parte, este corte, é o Inconsciente. Os yogues que chegaram a esta compreensão entenderam que a iluminação é um processo coletivo, ou seja, enquanto uma Alma estiver separada, haverá inconsciente. Isto está correto, mas há uma exceção descoberta como um segredo espiritual.

Uma Alma não se ilumina por que seu êxtase é da Consciência, seu gozo como se diz no tantra e na psicanálise. Este gozo nunca se completa por que o resto deste gozo, aquilo que não cabe na Alma, sobra, alimenta o Inconsciente.

A genialidade do Tantra é que quando o sujeito produz gozo que sobra, este gozo não volta ao inconsciente, não é comum aos demais. Ele é seu, e você o guarda como seu.

- O senhor poderia descrever este processo?

Na meditação Tântrica, o Yogue primeiramente leva sua Alma ao centro de energia do corpo, para a sede do desejo, isto é feito por um gesto, Pronam Mudra, lá do centro de força do corpo na sede da Alma, no coração e depois até o Chakra Raiz, com a Alma aí, ganha energia , vontade, libido, e depois esta energia é conduzida para a testa, no Ajña Chakra, o centro de comando do corpo, ali medita no seu desejo ininterruptamente, imagina até que seu desejo seja qualquer coisa que esteja na consciência, então vem o Samádhi, o êxtase, depois o yogue faz o caminho inverso, faz descer sua Consciência até o centro raiz, “guarda lá” a Kundaliní, e depois volta com sua Alma para o coração.

Jamais na sua vida você ouviu falar de encerrar uma prática de meditação, e o encerramento é mais fundamental, pois ter o desejo, gozar seu êxtase, é o que você sempre fez, e todos fazem. Então a meditação que você faz é inútil, pois todos já fazemos isto na vida, desejamos e gozamos ao reter este desejo na mente.

Guardar este resto, guardar o gozo que ultrapassou o eu, a Alma, é ir fechando o Inconsciente para você, se emancipar, isto é ser um Yogue. Cada êxtase, cada gozo, faz com que o gozo que ultrapassa o eu, a Alma,, não seja mais seu e sim do Inconsciente. A meditação com Kundaliní produz o mesmo gozo, mas aquilo que ultrapassou o eu, a Alma é guardado não mais como depósito inconsciente.

Resumidamente esta é a técnica a ser aprendida.

- Cada gozo que embrulha o sujeito com o real, leva este sujeito a se misturar com o Inconsciente?

Eu não poderia dizer melhor, é exatamente isto. O gozo, o êxtase, faz o sujeito se embrulhar com o real, com o Inconsciente. O gozo é da instância da Consciência e o Sentido é da instância do Inconsciente, quem dá sentido ao sujeito, a Alma, é o Inconsciente.

Deus dá tudo, o problema é o que fazer com o resto do tudo. E aí as coisas se complicam bastante, pois quando mais desejamos mais embrulhados pelo Inconsciente ficamos. As pessoas, principalmente psicólogos pensam que o Inconsciente é uma coisa maravilhosa, mas não é não, é a causa do não esclarecimento. Mas ele existe para cumprir seu papel ali, como uma lei do mundo, como sentido. Ele não pode ser negado, e nem aceito, é difícil de lidar com ele, pois ele é imediatamente tudo que está entre a Consciência e a Alma, praticamente a Alma é a sua parte aparente, mas o resto do iceberg está lá embaixo.

- Pelo que o senhor ensina o Tantra é um processo natural, pois o sono e o sonhos fazem por nós este processo de restabelecimento de uma forma automática. Entretanto já fiz a pratica de Kundaliní por muito tempo, e ela é artificial, ou seja ao empregar um controle sobre meu desejo, começo um processo de não é natural. O que o senhor pode nos dizer sobre isto?

Primeiro você terá de aprender a técnica com alguém competente o bastante para não produzir uma nova forma de desejar, a sua já é perfeita. O problema é que este desejo produz um gozo que ultrapassa sua expectativa e gera um sintoma negativo de depressão.

Como já lhes disse, o gozo como ele é, já faz pelo sujeito aquilo que ele é, aproxima de uma Consciência, de uma experiência de totalidade, não há nada de errado com isto. Aceite isto.

Segundo, que a meditação somente é feita no momento de queda, de fim do gozo, antes da onda do gozo ser negativa, aí, interrompida a parte negativa desta onda, ela é elevada etc.

domingo, 26 de julho de 2009

Curso de Tantra - Mestre Bhava


Começamos hoje a divulgação do Tantra e sua cultura, como o conhecimento sobre Kundaliní, Chakras, os Tattvas e Dikshá em um ciclo de cursos/palestras pelo Brasil. As entidades interessadas, centros de prática de Yoga, Universidades, Escolas de autoconhecimento e grupos reservados podem agendar datas e condições para o evento.

A Palestra tem a duração de Uma Hora e meia no máximo. Ao final são concedidos mais 30 minutos para questões a serem debatidas em público.

Os ouvintes receberão ao final do evento um resumo do que foi apresentado.

Informações sobre datas e condições: Bhavazen@globo.com